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14 Junho, 2021

Nação Portista

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Sérgio Conceição “tem dificuldade em lidar com as emoções”

Ricardo Cabete, especialista em inteligência emocional, explica que pedido de penálti sobre o filho do treinador “aumenta a carga emocional” e pede mudança de mentalidade no futebol português.

Ricardo Cabete, especialista em inteligência emocional, acredita que Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, tem dificuldade em lidar com as emoções quando se sente injustiçado, com a agravante de um dos lances em que pediu penálti no jogo com o Moreirense ter envolvido o filho Francisco Conceição, que “aumenta a carga emocional”.

O técnico dos dragões foi expulso depois do apito final do jogo entre Moreirense e FC Porto, que terminou com empate a um golo e que os dragões reclamaram vários penáltis. Sérgio Conceição dirigiu-se ao árbitro Hugo Miguel e foi expulso.

“O futebol é e sempre será um desporto de paixões, pressões e emoções. O comportamento do Sérgio, por exemplo, no fim do jogo, é de quem tem claramente dificuldades em lidar com as emoções e os comportamentos em momentos em que se sente injustiçado. Este é o ponto crucial. Para o Sérgio e para a maioria de nós, é muito importante que exista justiça e respeito”, começa por dizer, a Bola Branca.

Na opinião do especialista Ricardo Cabete, Sérgio deverá ter pensado que o árbitro “fez de propósito para prejudicar e, por causa disso, o FC Porto não será campeão”.

O VAR Bola Branca, Paulo Pereira, deu nota 1 a Hugo Miguel, por considerar que ficaram duas grandes penalidades por assinalar a favor do FC Porto, um sobre Francisco Conceição e outro sobre Luis Díaz.

Francisco Conceição dificulta situação

Um dos lances em que o FC Porto pede penálti é sobre Francisco Conceição, filho do treinador. Ricardo Cabete diz que o facto de ser um familiar aumenta a carga emocional: “O lance sobre o Francisco Conceição, que é filho do Sérgio, aumenta a carga emocional. Estes pensamentos despoletam emoções de família e de raiva. Os pensamentos são cruciais aqui”.

Ricardo Cabete defende que deve existir uma mentalidade diferente no futebol português para evitar que os árbitros sejam sempre considerados culpados pelos resultados.
“O árbitro errou, mas o erro é humano. Os jogadores falham tantas vezes durante um jogo e ninguém diz que foi de propósito. Os treinadores falham nas suas análises e ninguém pensa que foi de propósito. Temos de mudar o paradigma do futebol em Portugal. Em Inglaterra, são comportamentos raros, há clima de respeito e confiança no trabalho dos árbitros e de todos os agentes de futebol”, defende.

Ajuda profissional pode ser solução

Ricardo Cabete diz que situações como esta não definem o caráter de uma pessoa e deixa elogios a Sérgio Conceição enquanto treinador.
“Para evitar estas reações agressivas é mudar cultura do futebol e não julgarmos pessoas que têm estes comportamentos. O Sérgio não é má pessoa por ter estes comportamentos, apenas tem dificuldade em gerir as suas emoções. É excelente treinador, exemplo de dedicação e paixão ao futebol. Compreender não significa aceitar, mas perceber qual é a causa para podermos trabalhar para que não se repitam no futuro”, diz.

Estes comportamentos podem ser treinados com ajuda profissional e Cabete revela que trabalha com um treinador inglês nesse sentido: “A nossa capacidade emocional pode ser treinada. Para isso precisamos de ajuda, de um psicólogo, um ‘coach’ de inteligência mental, um especialista na área. Eu trabalho com um treinador em Inglaterra e há cada vez mais consciência disto”.

Agressão com menor atenuante

Um repórter de imagem da TVI foi agredido na noite de segunda-feira por Pedro Pinho, agente de jogadores, que estava junto do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, à saída do estádio do Moreirense, no parque de estacionamento.

Neste caso, Ricardo Cabete tem maior dificuldade em perceber a motivação, porque já se tinha passado vários minutos desde o apito final, o que deveria ter dado tempo para acalmar as emoções.

“No caso da agressão ao repórter acaba por ser a mesma coisa, mas com uma menor atenuante. No fim do jogo, as emoções estão à flor da pele, mas ali já tinha passado algum tempo. Em condições normais, havia tempo para acalmar, mas há muitos fatores que não vemos, porque não estamos no cérebro dele e não sabemos o que pensou”, termina.

Fonte: rr.sapo.pt