O contraste entre Lopetegui, Co Adriaanse e Jesualdo: “Não sei o que tinha contra mim”

Ricardo Quaresma deu uma entrevista ao Porto Canal, onde desvendou um pouco mais sobre a relação que teve com alguns dos treinadores que o orientaram no Dragão.

Relação com Lopetegui: “Foi um desafio. Sinceramente, não percebo o que é que ele tinha contra mim. Nunca lhe dei motivos para ele pensar o que quer que fosse. Cada um tem as suas opções. A verdade é que acabo a época com tantas assistência como Brahimi e o Tello, que era quem jogava mais. E em golos não fugia muitos. Sentia que jogava ou porque o Tello se lesionava ou o Brahimi tinha ido à CAN… Sentia que era a terceira opção. Sempre que jogava, jogava bem e dava tudo. Mas sentia que não era um jogador amado pelo treinador. Claro que foi uma mágoa em relação a não ganhar títulos e a jogar pouco. Tive situações que não foram fáceis de gerir com o Lopetegui. Mas já passou, prefiro olhar para o futuro. Já meti uma pedra no assunto.”

Co Adriaanse: “Logo da primeira vez em que ele me cumprimentou, pensei: “vou ter problemas”. Cumprimentou-me, fez-me umas perguntas e eu percebi logo que ele ia puxar por mim. Que ia ser um começo difícil. Mas a verdade é que ele soube trabalhar comigo. Ele soube aproveitar tudo o que tenho e fizemos uma época espetacular. Antes de ser titular, ele mandou-me para a bancada num jogo na pré-época na Holanda. Vi que não ia ter vida fácil. Tive de me adaptar à forma como ele gostava de jogar. E comecei nos treinos a adaptar-me. E não posso esquecer-me do Jorge Costa, que me deu muita confiança, o Baía também. Deram-me sempre confiança e aquela palavra de confiança que precisava. Nunca percebi bem o que ele queria. Eu descia ele dizia que tinha de subir, depois subia e dizia que tinha de descer. Comecei a perceber que o que ele mais gostava era do futebol simples. Só que isso para mim é difícil. Sou um jogador que gosto do risco, de investir no um contra um. Depois começamos a percebermo-nos um ao outro. Para o fim ele já pedi para fazer as minhas jogadas e o meu jogo. Às vezes temos de aprender outras coisas no futebol. Havia momentos em que me esquecia de muita coisa.”

Menino bonito de Jesualdo Ferreira: “(Risos) Tinhas de ter alguém que de um momento para o outro inventasse alguma coisa e na equipa tínhamos jogadores fantásticos e eu era um dos poucos que fugia a esse rigor que ele pretendia. Dava-me muita confiança, dava-me muito na cabeça durante a semana e nos jogos, mas era um treinador que me dava confiança para fazer o que eu fazia. Às vezes perguntam como é que um jogador tem muito talento e não consegue triunfar, mas podes ter muito talento e se não sentires a confiança de quem manda as coisas não te vão sair bem. Vai começar a desconfiança e muita coisa a passar na cabeça e não te saem bem. Isso fazia com que entrasse para o campo e mesmo que se falhasse duas ou três seguidas, sabia que há quarta eu ia fazer o que ele queria. Um cruzamento ou um golo.”

Fonte: ojogo.pt