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Luís Castro e o caso Marega: “Culpo os governos, é uma questão educacional”

O treinador do Shakhtar Donetsk lamentou o clima que se vive nos estádios portugueses.

À margem da antevisão do jogo do Shakhtar Donetsk com o Benfica, a contar para a Liga Europa, Luís Castro abordou o que aconteceu a Moussa Marega, que no domingo foi vítima de insultos racistas no estádio D. Afonso Henriques e abandonou o meio-campo a cerca de 20 minutos do fim do encontro.

O treinador da equipa ucraniana já testemunhou situações semelhantes com os seus jogadores, nomeadamente Taison e Dentinho e mostrou-se crítico com as estruturas governativas e com o ambiente que se vive no futebol português.

“É uma questão de respeito e educação. Muito mais profundo do que castigar o clube dono do recinto, é algo educacional. Faz corar de vergonha governos, faz de corar de vergonha instituições, faz corar de vergonha os seres humanos que proferem esses insultos”, atirou o treinador, cujo último trabalho em Portugal foi precisamente no banco do V. Guimarães.

“É incrível como estamos em 2020 e continuar a haver discriminação. É condenável em toda a linha. Os recintos desportivos deviam ser um espaço de lazer, de valores e de culto desportivo, mas é aí que se vivem ambientes agressivos. Há insultos a treinadores, a jogadores, aos árbitros, dos adeptos uns para os outros, dos dirigentes uns aos outros. Toda a gente insulta toda a gente com uma impunidade que me pasma. E ninguém se quer meter porque depois não querem ser mal recebidos”, prosseguiu Luís Castro, que considera o racismo como uma “chaga da humanidade” e insiste na importância da educação:

“Eu culpo os governos que investem cada vez menos da educação. Um investimento na educação é uma garantia de que vamos ter grandes governos e grandes pessoas a mandar neste mundo.”

Fonte: ojogo.pt