Get a site

“Ainda não ganhámos nada”

Sérgio Conceição anteviu o Tondela-FC Porto, da 31.ª ronda do campeonato (quinta-feira, 19h15).

A quatro partidas do fim da Liga NOS e dependente apenas de si próprio para conquistar o título, o FC Porto desloca-se a Tondela esta quinta-feira. Projetando o embate da 31.ª jornada, Sérgio Conceição referiu-se ao adversário como uma equipa com “uma dinâmica muito interessante” e cuja qualidade “não está refletida na classificação”, daí a necessidade “de estar ao melhor nível para conseguir os três pontos”. O treinador portista esclareceu ainda que o foco dos azuis e brancos está colocado apenas no desafio contra o conjunto beirão, até porque nada está ganho. O FC Porto lidera a prova com 73 pontos, mais seis do que o segundo classificado, ao passo que o Tondela se encontra na 16.ª posição com 30, mais três do que a primeira formação em zona de despromoção.

À espera de dificuldades
“Esperamos um jogo de acordo com aquilo que temos apanhado na Liga. Um jogo difícil contra uma equipa que está a lutar pela permanência, temos noção desse contexto que vamos encontrar. Associada a isso está a qualidade do Tondela que não está refletida na classificação. O Tondela é uma equipa que sabe o que faz com e sem bola. Tem uma dinâmica muito interessante. Quando tem bola explora bem o avançado alto que tem, o Ronan, e chega com facilidade ao último terço. Defensivamente também tem um bom comportamento. Temos de estar ao melhor nível para conseguir os três pontos. Preparámo-nos para chegar a Tondela e ganhar.”

Ser objetivo
“Temos de ter paciência, mas com objetividade, não é ter bola por ter. Ao contrário do que dizem, sabemos jogar por dentro e bem, explorar os corredores adversários e ter verticalidade. O Tondela defende bem, com duas linhas de quatro e com o João Pedro a juntar-se ao avançado, o Ronan. Defende com um bloco médio baixo e organiza-se muito bem em termos defensivos, com capacidade de pressão.”

Civismo dos adeptos
“Não tenho de deixar conselhos aos adeptos do Futebol Clube do Porto. De um modo geral as pessoas têm tido um bom comportamento. Nos dias dos jogos temos tido um apoio incrível desde o local do estágio até ao estádio onde jogamos, seja em casa ou fora. Mesmo no São João vimos que toda a gente se soube comportar.”

Normalidade na preparação
“Têm sido dias normais de preparação do jogo. Temos de ganhar o nosso jogo e estamos focados em conquistar os três pontos contra o Tondela. Tudo o que esteja à margem disso não entra no grupo, não quer dizer que não pensemos no título e no sucesso.”

Foco no jogo contra o Tondela
“Temos de viver esta fase com a mesma responsabilidade e atitude naquilo que é o trabalho. O contexto atual não muda absolutamente nada. Estamos verdadeiramente focados no jogo de amanhã e nada do que possam dizer, e até percebo as vossas perguntas porque estamos seis pontos à frente e só faltam quatro jogos, muda o que quer que seja. Se falássemos já do título eu dir-vos-ia. Dentro do plantel não se toca nesse assunto.”

Trabalho em tempos de pandemia
“Há sempre trabalho para fazer com os diferentes setores da equipa e os avançados não são exceção. Estamos numa fase atípica. Antes da pandemia tínhamos um mês e meio de férias e sete, oito semanas para preparar a época seguinte, além de uns 11, 12 jogos para pôr a equipa a jogar como queremos. O que vivemos atualmente é completamente anormal. Estivemos três meses parados e apenas tivemos três semanas para voltarmos ao campeonato, e é natural que os jogadores precisem de tempo para voltar à melhor forma. Neste período houve trabalho com os avançados, mas não somos nós que pomos a bola lá dentro. A bola pode não entrar. Quando disse que precisávamos de mais penáltis, a propósito do jogo nas Aves, fui mal interpretado. O que queria dizer é que precisamos de criar mais oportunidades para dispormos de mais penáltis e estarmos perto de marcar.”

Melhoria contínua
“No futebol há os quatro momentos clássicos, um quinto, que tem a ver com as bolas paradas (inventado pelo Jorge Jesus, como costumo dizer), e há ainda um sexto, que é o talento dos jogadores. No jogo com o Belenenses, destacaram-se os momentos individuais, mas fizemos uma primeira parte muito má, das piores que já tivemos, e temos de melhorar como equipa para evitar situações dessas.”

Companheirismo entre os mais velhos e os mais novos
“Dou bastante importância ao espírito de grupo e ao respeito que tem de haver entre os colegas do grupo. Os mais jovens que chegam a um plantel encontram jogadores experientes que os ajudam a adaptar-se e isso é muito positivo. Eu próprio quando jogava percebia que era difícil, enquanto jovem, integrar o plantel principal. Hoje em dia tudo é diferente. A ligação entre os jovens e os mais velhos é muito mais próxima do que a que existia há 15, 20 anos. Por isso há mais jovens a aparecer hoje em dia. Mas não interessa fazer uma ou outra boa exibição e marcar um ou outro golo. É preciso ter consistência para ganhar espaço no grupo.”

Um jogo de cada vez até ao fim
“Eu vou sair quando o Presidente achar que devo sair ou me mandar embora. Antes da paragem pela pandemia, fui igual a mim próprio. Quando estava mais chateado é porque as coisas não tinham corrido muito bem, quando estava mais bem-disposto é porque as coisas corriam melhor. Não acho que esteja com uma postura mais de robô. Quem chega a esta casa e não luta para ganhar títulos não pode estar cá. Esse desejo é o de todos nós. O que eu afirmei várias vezes é que queria ser campeão. Para já ainda não ganhámos nada, se vencermos dois jogos então seremos campeões. Pensamos num jogo de cada vez.”

Alheios ao exterior
“As pessoas têm falado do que acham que têm de falar. Nós temos feito o nosso trabalho. Não nos afeta minimamente o que gravita à nossa volta, não controlamos isso. Podemos pôr a mão no nosso trabalho, isso é o mais importante.”

Fonte: fcporto.pt