75 anos de sócio do FC Porto: um orgulho revestido a diamante

Entrega das Rosetas de Diamante esta terça-feira no Estádio do Dragão.

Foi no pó do pelado da Constituição que o amor nasceu, mas foi no moderno Estádio do Dragão que 75 anos de história desaguaram. O FC Porto recebeu e homenageou, esta terça-feira, aqueles que completaram em 2019 três quartos de século como sócios do clube. Um desfilar de histórias e memórias de uma ligação que, para todos, foi para a vida.

E que, também em todos, até se estende para lá da marca que hoje se assinala. Se, hoje em dia, já se deixa a maternidade como sócio de um clube, tempos houve em que o processo era bem mais complicado, mas igualmente prazeroso.

Álvaro Ferreira, por exemplo, tem memórias bem anteriores à sua entrada para sócio do FC Porto, com 12 anos. “Comecei a vir ao futebol com quatro anos. Como vivia em Penafiel vinha de vez em quando com o meu pai. Mais tarde, com sete ou oito anos, o meu pai veio para o Porto e aí estava sempre na Constituição. Entrámos, ambos, para sócio. Algum tempo depois o meu pai foi para os Açores e, ou porque ou não sabia ou porque se desinteressou, achava que por estar fora não precisava pagar quotas (risos). Acabou por ser cortado e eu também. Quando voltou, tinha eu 12 anos, voltamos a entrar para sócio e durou até hoje”, conta.

A paixão que passa de pai para filho é uma história comum, como se esperava. Luís Mota Freitas, outro dos distinguidos, entrou para sócio aos 8 anos, pela mão do pai. Ambos foram atletas do clube no Andebol de 11. “Mas o meu pai foi mais do que isso”, sublinha. “Jogou basquetebol e até futebol. Foi guarda-redes suplente do famoso Siska, por uns tempos”, recorda.

“Estes 75 anos de sócio são um orgulho. Vivi grandes momentos, tive grandes tristezas, mas acabamos sempre por voltar aos êxitos. Houve muito mais alegrias e como estive um bom período a trabalhar em Lisboa, posso dizer que gozei bastante nestes 75 anos”, brinca Luís Mota Freitas, que chegou a desempenhar funções na direção do FC Porto.

A vitória sobre o Arsenal e os primeiros ídolos

Os sócios agraciados com a Roseta de Diamante fizeram a sua inscrição em 1944. Quatro anos depois, o FC Porto escreveu uma das primeiras páginas brilhantes a nível internacional, com a vitória sobre o Arsenal, no Estádio do Lima.

“Era a melhor equipa do mundo”, recorda Ernesto Dias Santos (foto abaixo), outro dos homenageados, e que esteve presente nesse jogo. “Não tenho dúvidas que foi o jogo que mais me marcou como portista. Parece que ainda estou a ver o golo do Araújo…”

Araújo que foi, precisamente, o primeiro ídolo de Luís Mota Freitas: “Ele era columbófilo, como o meu pai, e estava muitas vezes com ele. Aquele jogo com o Arsenal foi uma coisa brutal. Aquela Taça enorme, realmente, comemora bem o que se sentiu naquela altura”.

Já para Ernesto Santos ninguém supera Hernâni: “Era uma coisa fenomenal. Só o Fernando Gomes, mais tarde, chegou perto. Mas também vi jogar o Barrigana e o Virgílio. Jogadores valentes. Eram tempos muito diferentes.”

Álvaro Teles Meneses (foto abaixo) é sobrinho de Jerónimo Faria, um dos campeões da primeira edição do Campeonato Nacional. “E vi jogar o Pinga”, sublinha. “Era um jogador que tratava bem a bola, rematava muito bem e era dos melhores do FC Porto. Depois também sou do tempo do Barrigana, Virgílio, Carvalho, Monteiro da Costa…Vivia em Faria Guimarães, muito perto da Constituição. Aos sábados e domingos, estava lá sempre, fosse para ver futebol, basquetebol, hóquei em campo, andebol…”

“Oh mãe, partiram a cabeça ao Pinga…”

Na primeira metade da centenária história do FC Porto, Pinga era dos nomes mais famosos. Um artista da bola, contratado ao Marítimo que se tornaria figura histórica de azul e branco vestido. É dele, de resto, a primeira memória de adepto do FC Porto de Álvaro Ferreira.

“A primeira recordação que tenho é de, aí com uns quatro anos, ter vindo à Constituição ver o FC Porto e chegar a casa a chorar. A minha mãe, aflita, a perguntar-me o que se passava e eu só chorava. Depois lá disse: “oh mãe, partiram a cabeça ao Pinga…”, atira, entre risos.

Anos depois de se tornar sócio do FC Porto, Álvaro Ferreira foi atleta do clube. Jogava voleibol. “Com 16 anos comecei a jogar voleibol no FC Porto. Fazia-se treinos duas vezes por semana. A primeira vez que vesti a camisola do FC Porto foi no Palácio de Cristal e essa é uma recordação que levo para sempre”, assume.

Luís Mota Freitas, que jogou andebol de 11, onde o FC Porto venceu 18 campeonatos, recorda a dureza dos treinos: “Levantava-me às 7h30. Lembro-me daqueles dias de inverno na Constituição, com aquela bola pequena, dura como o diabo… Às vezes até chorávamos com dores.”

Fonte: fcporto.pt